Reformador, janeiro 1954, p. 22.
Geralmente, a primeira criatura que sofre a violentação de
nossa intemperança mental somos nós mesmos.
Antes de atacarmos o próximo com as irradiações perturbadoras
ou destrutivas de nossa cólera, desintegramos as próprias energias, convertendo
o cérebro num caos e a palavra num estilete invisível, na ação desvairada de
nossa inconsequência.
Tenhamos, pois, serenidade diante de nós, consagrando a
auto-disciplina por diretriz de nossa alma, em qualquer circunstância.
Guardemos calma, diante das forças conturbadas que
eventualmente nos cerquem e deixemos o verbo ou a decisão para a hora do
equilíbrio, certos de que a desarmonia, em nós ou fora de nós, é sempre nuvem
pesada de mortíferos dardos de treva, desânimo, aflição e morte.
Tem paciência contigo e usarás a verdadeira tolerância com os
outros. Cerra as portas da consciência aos impulsos da animalidade
primitivista, não dês guarida ao raio da violência que te induz a desatinos
fatais e aprenderás que a paciência vale mais que o repouso, simbolizando no
firmamento de nosso espírito o arco-íris da aliança, entre nossa alma e a
Harmonia Celeste, elevando-nos a insignificância de criaturas incipientes e
frágeis do Universo para a luz soberana da Grandeza Divina.
(Página recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, na sessão pública da noite de 6 de abril de 1951, em Pedro Leopoldo.)